A prestação de contas parcial divulgada no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela uma forte concentração de recursos financeiros nas três campanhas com maior movimentação até o momento na corrida pelo Governo da Paraíba. Juntas, elas receberam R$ 19,56 milhões, dos quais aproximadamente R$ 19,45 milhões foram repassados pelos partidos, o que representa mais de 99% da arrecadação registrada.
Os números mostram que o financiamento partidário é, até agora, a principal fonte de recursos das campanhas com maior estrutura. As demais candidaturas ainda aparecem sem receitas ou despesas registradas no sistema.
A campanha que lidera a arrecadação é a do governador Lucas Ribeiro (PP), que contabiliza R$ 7.611.173,00 em receitas. Desse total, R$ 7.581.173,00, ou 99,61%, vieram de repasses partidários. Até o momento, foram registradas R$ 4.526.282,19 em despesas contratadas, enquanto os pagamentos efetivamente realizados somam R$ 2.253.032,05. A candidatura também recebeu R$ 30 mil em doações de pessoas físicas.
Na segunda posição aparece a campanha do senador Efraim Filho (PL), com R$ 6.894.800,00 em receitas. Os partidos foram responsáveis por R$ 6.870.000,00, equivalentes a 99,64% do total arrecadado. As despesas contratadas chegam a R$ 5.708.214,47, e os pagamentos realizados alcançam R$ 4.092.799,52. Também foram registrados R$ 800 em doações de pessoas físicas e R$ 24 mil em recursos próprios.
A terceira campanha com movimentação financeira é a do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), e soma R$ 5.058.000,00 em receitas, sendo R$ 5 milhões provenientes dos partidos, o equivalente a 98,85% da arrecadação. As despesas contratadas já chegam a R$ 5.693.158,63, enquanto R$ 4.621.379,96 já foram pagos. Essa candidatura recebeu ainda R$ 58 mil em doações de pessoas físicas.


Despesas já superam R$ 5 milhões em duas campanhas
Um dos principais pontos de atenção nas contas é o volume de despesas contratadas. Duas das três campanhas com maior arrecadação já registraram compromissos superiores a R$ 5,69 milhões.
Considerando o teto de gastos informado para a disputa, de R$ 7.115.522,46, a segunda campanha já contratou o equivalente a cerca de 80,2% do limite, enquanto a terceira comprometeu aproximadamente 80% do teto.
A situação chama atenção porque despesas contratadas representam compromissos assumidos pela campanha, ainda que parte desses valores não tenha sido efetivamente paga. Por isso, os valores pagos são inferiores aos montantes contratados.
Os dados também evidenciam o peso do financiamento público nas campanhas. Nos três casos analisados, os repasses partidários representam entre 98,85% e 99,64% de toda a receita declarada.
As doações de pessoas físicas e os recursos próprios aparecem em valores muito menores quando comparados aos repasses realizados pelas legendas.
O cenário reforça a importância do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) na estrutura financeira das candidaturas, especialmente entre aquelas que contam com maior volume de recursos partidários.
Enquanto as três maiores campanhas já movimentam milhões de reais, Camilo Duarte (PCO), Pedro Coutinho (DC) e Yuri Ezequiel (UP) ainda aparecem, na prestação parcial considerada, com R$ 0 em receitas, despesas contratadas e despesas pagas.



A ausência de registros nesta etapa, porém, não significa necessariamente que essas candidaturas permanecerão sem movimentação financeira durante toda a campanha. Os dados de prestação de contas são atualizados ao longo do processo eleitoral, à medida que receitas e despesas são declaradas e processadas.
A diferença entre as campanhas pode estar relacionada, entre outros fatores, à estrutura e à capacidade de financiamento de cada legenda, além do momento em que os recursos são efetivamente repassados e registrados.
A prestação apresentada é parcial e, portanto, não representa o retrato financeiro definitivo das campanhas. Novos repasses, doações, contratos e pagamentos podem ser incluídos posteriormente no sistema da Justiça Eleitoral.
Mesmo assim, os números disponíveis já mostram uma característica marcante da disputa: as campanhas que mais movimentam recursos dependem quase integralmente dos repasses partidários e já concentram milhões de reais em despesas contratadas, enquanto candidaturas de menor estrutura ainda não apresentam movimentação financeira registrada.
Os dados foram organizados com base nas informações de prestação de contas parcial disponíveis no DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral.
PB Agora
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