Da saída do PSB ao PP, decisões que renderam críticas nos bastidores terminaram levando Pollyanna à Câmara — e agora ela será a única mulher da bancada paraibana
Em agosto, quando boa parte do mundo político paraibano já tinha feito as contas, distribuído cadeiras e praticamente definido, no papel, quem seriam os futuros deputados federais da Paraíba, esta coluna resolveu fazer um alerta que, para alguns, parecia até provocação: não subestimem Pollyanna. Enquanto muitos concentravam suas apostas nos nomes considerados favoritos, havia quem olhasse para a candidatura de Pollyanna Werton como uma possibilidade secundária, daquelas que poderiam até disputar, mas que não necessariamente chegariam ao resultado esperado. A urna, mais uma vez, mostrou que política não é exatamente uma ciência exata.
Pollyanna está eleita deputada federal com 50.922 votos e será, a partir de 2027, a única mulher da bancada paraibana na Câmara dos Deputados. E talvez seja justamente por isso que o resultado mereça uma leitura além dos números. A vitória não representa apenas a conquista de uma cadeira. Ela também é um desdobramento de uma série de decisões políticas que, durante o caminho, foram questionadas, criticadas e até tratadas por alguns como apostas equivocadas.
Uma delas foi a saída do PSB e a filiação ao Progressistas. A mudança gerou comentários nos bastidores e não faltaram análises apontando o movimento como arriscado. Houve quem questionasse a estratégia, quem enxergasse dificuldades e quem preferisse fazer o julgamento antes mesmo de a urna dar sua sentença. É uma tradição da política: primeiro vem o diagnóstico; depois, se der tempo, a eleição.
Só que desta vez a urna resolveu recorrer da sentença.
A escolha de Pollyanna pelo PP pode até ter sido discutida, como toda decisão política importante é, mas o fato é que ela conseguiu construir uma candidatura competitiva e transformar trajetória política em voto. E isso precisa ser reconhecido. Afinal, depois do resultado, fica aquela pequena inconveniência para quem passou meses dizendo que a estratégia estava errada: a estratégia terminou em mandato.
É aí que entra uma das ironias mais interessantes desta eleição. Enquanto alguns grupos políticos já faziam listas de eleitos, distribuíam cadeiras e discutiam até quem seria presidente de comissão antes de o eleitor apertar o primeiro número da urna, Pollyanna precisava fazer uma coisa bem mais simples: conseguir votos suficientes para estar entre os 12 deputados federais da Paraíba. E conseguiu.
A política paraibana é pródiga em certezas antecipadas. Basta conversar com meia dúzia de pessoas nos bastidores para descobrir que determinado candidato “já está eleito”, que outro “não tem como perder” e que um terceiro “está fora”. O problema é que a urna não participa dessas conversas. Ela não lê grupo de WhatsApp, não acompanha fofoca de bastidor e muito menos respeita lista previamente montada.
Pollyanna, talvez por isso, tenha feito o que precisava ser feito: campanha.
E havia sinais de que ela não deveria ser ignorada. Em 2022, na disputa pelo Senado, Pollyanna conquistou 457.679 votos e terminou em segundo lugar na Paraíba. É evidente que uma eleição majoritária não pode ser comparada automaticamente com uma eleição proporcional. São disputas diferentes, estratégias diferentes e lógicas eleitorais diferentes. Mas também seria um erro tratar aquela votação como se não significasse absolutamente nada.
Quase meio milhão de votos não desaparece de uma eleição para outra.
Aquela votação mostrava que havia um capital político a ser reorganizado. E foi justamente por isso que, em agosto, esta coluna fez o alerta. Não era uma aposta irresponsável em uma eleição que ainda não havia acontecido. Era uma provocação baseada em uma trajetória que não poderia ser ignorada.
Agora, depois da apuração, o alerta ganhou outro peso.
O PB Agora avisou: não subestimem Pollyanna.
E a urna confirmou.
O resultado ainda produz um componente político importante. Pollyanna será a única mulher entre os 12 deputados federais eleitos pela Paraíba. Em uma bancada historicamente dominada por homens, sua chegada à Câmara Federal ganha uma dimensão que ultrapassa os 50.922 votos.
Ela não chega mais como candidata.
Chega como deputada federal eleita.
E isso muda completamente a conversa.
Também muda a conversa sobre as decisões tomadas durante a caminhada. A saída do PSB, a ida para o PP, a construção da candidatura e todas as avaliações feitas nos bastidores agora precisam ser observadas à luz do resultado. Porque política pode até ser feita de opinião, estratégia e leitura de cenário. Mas, no fim, quem dá a palavra final é a urna.
E desta vez a urna foi bastante clara.
Enquanto alguns contavam os favoritos, Pollyanna fazia campanha. Enquanto outros distribuíam cadeiras, ela disputava voto. Enquanto surgiam dúvidas sobre suas escolhas políticas, ela seguia construindo o caminho que terminou em Brasília.
Por isso, o desdobramento daquela coluna de agosto talvez seja ainda mais interessante agora.
Naquele momento, a recomendação era não subestimar Pollyanna.
Hoje, depois do resultado, fica uma provocação inevitável: talvez o problema não estivesse nas escolhas dela. Talvez estivesse na leitura de quem achou que sabia, antes da hora, como a eleição terminaria.
A política tem dessas ironias.
E a urna, quando quer, sabe ser a melhor colunista de todas.
RELEMBRE
Márcia Dias
PB Agora
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