Após quase meio século de vida pública, o veterano político alagoano sofre uma derrota histórica, acompanhada pelo revés eleitoral do próprio filho.
Renan Calheiros atravessou gerações e acumulou poder em Alagoas e Brasília. Sua trajetória começou em 1978, quando foi eleito deputado estadual. Entre 1983 e 1991, exerceu dois mandatos de deputado federal, participou da Constituinte e, em 1995, chegou ao Senado, onde permanecerá até 2027.
Foi ministro da Justiça entre 1998 e 1999 e presidiu o Senado em quatro ocasiões, entre 2005 e 2017.
Para alguns, um habilidoso articulador político. Para outros, uma velha raposa, símbolo de uma política marcada pela preservação do próprio poder e dos interesses de seu grupo.
Na minha avaliação, apesar dos cargos ocupados, nunca alcançou a grandeza moral e política de um verdadeiro estadista.
MAS AS URNAS DERAM SEU RECADO!
Aos 71 anos, Renan sofreu uma derrota expressiva nas eleições de 2026, ficando em terceiro lugar na disputa pelo Senado, com 22,25% dos votos. Seu filho, Renan Filho, também foi derrotado na corrida pelo governo de Alagoas.
Cai, assim, uma longa hegemonia familiar. Mas surge uma pergunta inevitável: os novos governantes trarão renovação e esperança ao povo alagoano ou apenas substituirão os antigos protagonistas na interminável disputa pelo poder?
Renan deixa as urnas derrotado, mas não necessariamente a influência política. Depois de tantos anos nos corredores do poder, certamente terá muito tempo para refletir sobre o legado que construiu.
E fica a pergunta mais profunda: quando se apagam os holofotes do poder, o que resta diante da própria consciência?
Porque as urnas julgam os políticos, a história avalia seus legados, mas, segundo as Escrituras, todos compareceremos diante do Grande Juiz, perante quem não existem privilégios, influência ou poder.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro
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