Em fevereiro, escrevi sobre Wilson Filho e destaquei que a política também é feita de movimentos silenciosos, lealdades e, sobretudo, de saber reconhecer o tempo certo de cada escolha. Naquele momento, seu nome já despontava como uma das possibilidades mais consistentes para assumir a presidência da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) a partir de 2027. Meses depois, diante dos movimentos e questionamentos que cercam a disputa, uma pergunta me parece cada vez mais necessária: por que não Wilson?
E vou além: diante de sua trajetória, sua postura e do compromisso político que ajudou a sustentar, seu nome deveria estar entre os mais naturais para receber o reconhecimento dos aliados.
Wilson Filho é um jovem fora da curva. E não digo isso apenas pelo desempenho político, pela capacidade de articulação ou pelos espaços que já ocupou. Digo pela maneira como construiu sua caminhada. Em um ambiente onde a conveniência frequentemente fala mais alto que a palavra empenhada, Wilson tem demonstrado algo que deveria ser básico, mas se tornou cada vez mais raro: lealdade.
Foi correto com o projeto político que ajudou a construir. Trabalhou, participou, colocou suas lideranças à disposição e esteve ao lado do grupo que elegeu Lucas Ribeiro. Não mudou de lado quando as circunstâncias poderiam favorecer outros caminhos. Não transformou oportunidades individuais em motivo para abandonar compromissos coletivos.
E isso precisa ter peso.
Na política, acordos não podem ser lembrados apenas quando interessam a uma das partes. A palavra dada em uma construção coletiva precisa ter valor, especialmente quando foi reafirmada publicamente por diferentes lideranças. O Republicanos abriu mão de espaços e fez escolhas dentro de um entendimento político. Agora, quando chega o momento de reconhecer o espaço que lhe foi assegurado, não parece razoável que o compromisso seja colocado em dúvida.
Wilson não está reivindicando um favor. Está defendendo o cumprimento de um entendimento e apresentando seu próprio nome como alternativa para conduzir o Legislativo.
Há ainda outro aspecto que merece atenção: sua capacidade de exercer a política sem precisar fazer da própria trajetória uma vitrine. Wilson não precisa se apresentar como alguém especial. Suas atitudes falam por ele. É um político que construiu relações, preservou pontes e demonstrou capacidade de diálogo. Na Secretaria de Estado da Educação, enfrentou o desafio de comandar uma das áreas mais complexas da administração pública, ampliando sua experiência para além da atividade parlamentar.
Mas existe também o Wilson que não aparece nas fotografias dos encontros políticos. O esposo, o pai de três filhas, o homem que tem uma vida para além dos mandatos e dos cargos. Essa dimensão humana ajuda a compreender sua postura. Não se trata de alguém que vive exclusivamente da política ou que precisa transformar cada conquista em autopromoção. Há uma trajetória pessoal, familiar e pública construída com discrição.
Presidir a Assembleia exige muito mais do que contar votos. Exige equilíbrio, capacidade de ouvir, respeito às diferenças e habilidade para construir consensos. E Wilson tem demonstrado disposição para isso. Na própria defesa de sua candidatura, deixou claro que não pretende impor seu nome, mas ouvir os colegas, acolher sugestões e construir uma Mesa Diretora plural, com participação de todos os partidos.
É exatamente esse comportamento que deveria aproximar, e não afastar, os parlamentares de seu projeto.
Não se trata de desconsiderar a legitimidade de outros nomes ou de ignorar que toda eleição exige articulação. A Assembleia tem suas forças, seus interesses e suas particularidades. Mas também é preciso reconhecer quando alguém reúne credenciais políticas, compromisso partidário e capacidade de diálogo para ocupar uma função dessa dimensão.
E aqui volto à pergunta: por que não Wilson?
Se a lealdade é uma qualidade valorizada na política, por que colocar em dúvida justamente quem demonstrou fidelidade ao projeto? Se os acordos são importantes para construir alianças, por que relativizá-los quando chega a hora de cumpri-los? Se o Republicanos foi parceiro, esteve presente e contribuiu para a vitória do grupo governista, por que seu espaço na Assembleia deveria ser tratado como uma concessão?
Wilson não pede unanimidade por imposição. Mas, sinceramente, diante de tudo o que construiu, não deveria sequer ser surpreendente que seu nome encontrasse unanimidade entre aqueles que conhecem sua trajetória.
A presidência da Assembleia não é apenas uma cadeira. É um espaço de representação, responsabilidade e confiança. E confiança não se constrói da noite para o dia. Wilson vem construindo a sua há anos.
Na política, há momentos em que a escolha de um nome representa mais do que uma disputa por poder. Representa o reconhecimento de uma história, a valorização de uma parceria e o respeito à palavra empenhada.
Talvez seja justamente isso que esteja em discussão agora.
Por que não Wilson? A pergunta, neste momento, parece muito mais pertinente para quem resiste ao seu nome do que para quem o apresenta como candidato.
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