3 de mar de 2026 às 16:10
Leigos da arquidiocese de Juiz de Fora (MG) iniciaram no domingo (1º) uma semana missionária nos abrigos da cidade para levar consolo espiritual às famílias desabrigadas por causa dos temporais da semana passada. A iniciativa surgiu depois de perceberem que a Igreja já atuava de forma organizada na ajuda material, mas que os desabrigados precisavam também de oração, escuta e esperança.
“Não está faltando nada de roupa, estão chegando muitas verbas, muita organização para isso, mas o que está faltando é essa fala mesmo da Igreja”, contou Letícia Cristina Pereira, uma das organizadoras, à ACI Digital. Durante as visitas, os missionários rezam com as famílias e distribuem Bíblias, exemplares do Novo Testamento e terços.
A ideia nasceu dentro do grupo do Apostolado de Nossa Senhora das Lágrimas, depois de conversas entre integrantes que acompanhavam de perto a situação nos abrigos. Uma das participantes, médica que atua no atendimento aos desabrigados pela prefeitura, alertou para a carência espiritual das famílias.
“A maior necessidade deles é o consolo de esperança, uma palavra amiga, fazer uma prece, dizer que não está tudo perdido. As pessoas estavam mesmo entrando num desespero”, contou Letícia.
Letícia entrou em contato com o administrador apostólico dom Gil Antônio Moreira propondo a realização de uma missão de uma semana. Segundo ela, o apoio foi imediato. “Nasceu no sábado de manhã, dom Gil nos incentivou muito a fazer. Domingo a gente estava sendo enviado de manhã”, disse.
A missa de envio foi no domingo (1º) celebrada por dom Gil. Ele falou sobre o testemunho dos missionários e reforçou a importância do consolo espiritual neste momento de dor. “Estes irmãos são uma legião que se propôs não levar apenas o material, mas também o consolo espiritual, a Palavra de Deus, visitando as pessoas que estão sofrendo. Deus vai inspirar o que vocês deverão falar, em seus corações, para que possam levar o socorro da fé e o consolo”, disse o administrador apostólico.
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A missão coincidiu com o 8 de março, dia de Nossa Senhora das Lágrimas. Todos os anos, o apostolado faz um encontro arquidiocesano na data, mas, neste ano, não poderá fazer por causa da situação da cidade. Para Letícia, isso não foi coincidência, mas um sinal de que este ano “devemos ir ao encontro das pessoas”.
A missão reúne pessoas de vários grupos da arquidiocese: Pastoral da Criança, Vicentinos, Opus Dei, Projeto Exaltar, Comunidade Resgate, Jovens Missionários Continentais e o próprio Apostolado de Nossa Senhora das Lágrimas, entre outros.
Os missionários visitam os abrigos onde estão parte dos cerca de 8 mil desabrigados. Nem todos permanecem nesses locais, mas, segundo Letícia, aqueles que estão acolhem com alegria a presença da Igreja. “Eles cantam, choram, partilham, a gente reza com eles”, relatou.
“Eles estavam com a sensação de que a tragédia só tinha acontecido com eles porque eles não tinham sido pessoas boas”, contou Letícia. “Ter a gente lá é como se eles percebessem que Deus os ama e a gente renovava junto com eles essa certeza, essa confiança de que Deus nos ama, de que Deus está conosco, de que mesmo em meio à tragédia a gente pode tirar coisas boas”.
Um dos testemunhos mais marcantes, segundo Letícia, veio de uma senhora acolhida em um dos abrigos, que disse: “Quero louvar porque eu estou viva, eu podia ter morrido, mas estou aqui viva, tendo a oportunidade de ser uma pessoa melhor”.
“A gente pensa que esse trabalho é o início de uma necessidade que a Igreja vai ter agora, a partir do momento que eles vão sair dos abrigos, que eles vão ser realocados, a Igreja vai precisar estar indo ao encontro dessas pessoas para poder ajudar nesta estrutura emocional, espiritual, levar o consolo de Deus”, concluiu.

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