A sessão desta quinta-feira (17) da Câmara Municipal de João Pessoa foi marcada por um forte confronto ideológico entre vereadores de esquerda e direita. O embate começou após o vereador Marcos Henriques (PT) abordar casos de violência contra mulheres e associar o problema a pessoas ligadas à direita.
Durante o discurso, o parlamentar também citou casos de pedofilia e questionou o uso do lema “Deus, Pátria e Família”, associado a setores conservadores.
“A direita ela é o que eu posso chamar de hipocrisia. Ela usa Deus, pátria, família, quando bota Deus fazem justamente o contrário. Se você for olhar, faça um teste. Olhe pedófilo, olhe agressor de mulher. Olhe essas pessoas, geralmente são pessoas ligadas à direita”, afirmou Marcos Henriques.
O discurso provocou reação imediata do vereador Carlão Pelo Bem (PL), que classificou a fala do petista como “desespero” e rebateu levando o debate para a área de segurança pública.
Carlão citou a discussão sobre as saídas temporárias de presos e afirmou que a direita teria adotado uma posição mais rigorosa em relação ao tema.
“É pena, a gente consegue ver um desespero e nenhuma verdade nas palavras desse vereador. Quem é que votou contra a saidinha dos criminosos reincidentes? Foi a direita. O PT votou a favor”, declarou.
O vereador do PL também criticou PT, PSOL e PCdoB em temas relacionados à segurança pública e defendeu a redução da maioridade penal. Na sequência, ampliou o confronto para pautas de costumes.
“Ninguém que defende aborto, liberação de drogas e ideologia de gênero pode ter a cara de pau de falar sobre hipocrisia. E quero dizer mais um ponto que é extremamente importante: quando a esquerda ganha o poder, é presídio que faz festa”, afirmou Carlão.
O confronto mostrou como temas que dominam a disputa política nacional também ocupam espaço nos debates da Câmara de João Pessoa.
Violência contra a mulher, segurança pública, sistema prisional, aborto, drogas, família e religião acabaram transformados em argumentos de um duelo político entre os dois campos ideológicos.
As declarações dos vereadores, porém, representam posições e acusações feitas durante o debate político e não comprovam, por si só, relação entre determinada orientação ideológica e a prática de crimes.
O episódio reforça o ambiente de polarização na CMJP, onde pautas municipais frequentemente acabam servindo de ponto de partida para discussões que reproduzem a disputa nacional entre esquerda e direita.
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